terça-feira, 24 de setembro de 2013

[SOBRE O CONSCIENTE]


Hoje sonhei que eu estava grávida ,
muito gravidíssima de você.
Mais grávida do que estive em sonhos de outrora.
Essas grávidas que só falam da sua hora.
Da impaciência com a demora.
Eu era dessa grávida que chora,
por causa do filme materno
Que me consta com a minha mãe.

Qualquer lembrança me doía comedidamente
Não me deixava descansar a mente.
Sofri um pouco sem quem se identificasse
Confusa do teu lado, querendo que o parto
fosse logo e nunca
Ansiosa pelo 360 na nossa vida
Que o parto de fato
fosse partir para o ato
deixar a fase de agora
desbravar os novos lugares
ares
dores.

Mas acordei
e aqui continuo a querer

partir.

domingo, 22 de setembro de 2013

[DIAS E DIAS]

Lugares comuns para minhas rimas
Rumos ruins nos meus dias
Rotina que se repete até no som.
Horários para sonhar
Dias para dividir
Tarefas listadas

Na porta da geladeira a me perseguir.

sábado, 21 de setembro de 2013

[CRER PARA VER]

Que medo da minha fé, que medo. Que medo. Que de vê-la existir, não me digam a verdade. Que de sabê-la, eu me deleite em qualquer modo de vida. Que não creiam, ao percebê-la, que cresci. Que tão forte eu me sinta ao senti-la que não me esforce mais nos detalhes básicos do meu ser que preciso endireitar. Que de tê-la, não me incomodem os meus defeitos. Que não a vendo nos olhos alheios, eu não me conecte. Que de viver por ela, eu não me oriente no mundo que na verdade é mais pitoresco que lindo. Mais injusto que liberalista. Mais dos que mais têm do que dos que se importam. Uma pausa, minha fé. Para o meu café.

sábado, 17 de agosto de 2013

[SAMBA SEM SOM]

Estou escrevendo num caderno. Pautas distantes das extremidades, canetas coloridas, não tenho mais medo de rabiscar. Nem medo de mim há. Já estou naquela idade em que se perde um pouco da vergonha, em que é possível amar a si mesmo sem rodeios, cobranças ou recalques.

 Acordo cedo, ligo a tevê, ouço as notícias e penso no que escrever nesse caderno. Ando tão em dúvida sobre coisas básicas do meu ser. Com uma estranha saudade de quando eu lavava roupa na mão e pensava em milhões de coisas indizíveis, e aquele era momento de sagrada reflexão, de lembrar as melhores músicas de Gil, de chorar comigo mesmo cantando-as fora do tom. Quando o tempo não me era escasso e eu vivia daquele jeito que Maury disse que Clarice receberia sua carta, “sonhando em plena luz do dia”.

Agora sonhar envolve tantas coisas diferentes. Tantas coisas desse mundo. Queria que viver em paz ainda fosse sentar à mesa para comer com os seus. Viajar pra bem pertinho com as crianças, pic-nics na estrada, jogos de palavras do banco da frente pro banco de trás. Mas é esse mundo que me faz querer mais e me sentir mais pequeno. Tenho medo desse veneno, medo de voltar atrás em tudo que sei ser o que sou. De seguir adiante, mas sem rumo. Confusão eu não arrumo. Mas também não peço arrego. 

sábado, 10 de agosto de 2013

[DESCOBERTA]

Tanta coisa em mim
nasceu pra ser poema.
Essa saudade que eu tenho
dos anos sessenta que nem vivi
do meu avô preto que não conheci
do próximo destino onde vou ir.

Eu nem acredito de ver,
eu nem creio crescer
em mim a vontade de também ser versos
mas canto quando ninguém vê
no meu canto, enquadrada
querendo secretamente que os meus anseios ecoem
que a minha voz vá longe
junto com essa saudade

mas vá  e volte pra mim.

domingo, 30 de dezembro de 2012


Não sei se a inspiração é legítima quando não vem com a brisa, a energia, o dia. Quando você a busca onde seja, quando você a deseja porque a razão da vida não te basta pra ser feliz. Eu a busco mesmo assim. Me encolho frequentemente quieta buscando ela nas minhas lembranças. Vendo dela nas minhas crianças. Querendo que ela dure pra sempre e não mude de intensidade de ano pra ano. Querendo que querê-la me acompanhe. Que meu anjo não me solte a mão. Que meus olhos não se desviem em vão.

sábado, 27 de outubro de 2012


Seios
Meus, seus, meios.
Na minha mão, meus
Na sua mão, meios.
Travesseiros das suas têmporas
Silêncio dos nossos filhos
Futuros.
Meus.
Seus.
Meios.